Plano de intervenção para Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Você precisa fazer um plano de intervenção para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental e não saber por onde começar? Com essas dicas, você terá mais segurança para realizar intervenções que façam a diferença na aprendizagem das crianças.

Olá! Que bom ter você aqui!

Os anos iniciais são uma etapa muito importante da vida escolar. Pois, constitui um “alicerce” necessário para a continuidade dos estudos.

Toda a importância dos Anos Iniciais se traduz em uma grande responsabilidade para os professores que atuam nessa etapa. Ainda mais diante de tantos dados preocupantes sobre defasagens em leitura, escrita e matemática.

Os planos de intervenção têm sido cada vez mais necessários. Contudo, devem partir de uma reflexão minuciosa de cada realidade, para que traga resultados positivos.

Algumas estratégias têm sido estudadas em diversos países e apontam maiores possibilidades de sucesso na intervenção escolar.

Neste post, reuni as melhores estratégias para te ajudar com seu plano de intervenção pedagógica para os anos iniciais do ensino fundamental. Confira!

Dicas para planejar um plano de intervenção para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Algumas estratégias ajudam a evitar defasagens na aprendizagem. Isso significa intervir rapidamente nas dificuldades e evitar o famoso “Efeito Mateus” (quando as dificuldades se acumulam e dificultam a consolidação de novas aprendizagens).

A seguir, você pode conferir algumas estratégias:

Intervenção precoce

Identificar rapidamente dificuldades no aprendizado da leitura, da escrita e da matemática e intervir antes que elas se agravem, é a melhor saída.

Para isso, é preciso ficar atenta, observando, registrando e analisando os dados de aprendizagem.

Observar a progressão das aprendizagens

A BNCC organiza as habilidades seguindo uma progressão, das mais simples para as mais complexas.

Ter essa visão nos ajuda a planejar um roteiro de ensino com uma progressão clara. Também começamos a observar que algumas habilidades são pré-requisito para o desenvolvimento de outras. 

E que por esse motivo, se o aluno não está conseguindo aprender um conteúdo novo, muitas vezes, é preciso retomar uma habilidade preditora (ou mais de uma).

Vamos aos exemplos: Sabemos que a consciência fonológica é uma habilidade preditora da alfabetização. A consciência fonológica envolve a consciência de palavras, consciência silábica, rimas, aliterações e consciência fonêmica.

Sendo assim, independente do método de alfabetização que utilizamos, é importante trabalhar com a consciência fonológica.

Quando um estudante ainda não consegue ler e escrever, é importante investigar se a consciência fonológica foi desenvolvida, mesmo que ele esteja em séries avançadas.

Em matemática, quando a criança não compreende o sistema de numeração decimal, não têm noção de quantidades, de localização no espaço, muitos conteúdos ficam comprometidos.

Esses são apenas alguns exemplos para ilustrar que muitas vezes focar em uma habilidade do ano de escolaridade atual não traz resultados, pois há habilidades anteriores que precisam ser recompostas para “preparar o terreno” para receber essa nova sementinha da aprendizagem.

Existem muitas estratégias e a efetividade depende também do contexto. Gosto de trazer muitas ideias diferentes para ampliar as possibilidades. 

Um modelo de ensino que tem se mostrado eficaz nos estudos científicos, é um roteiro “I do (Eu faço)/ We do (Nós fazemos)/ You do (Você faz)” 

Funciona da seguinte forma:

  • Eu faço: o professor modela a tarefa. Mostra como se faz, como se estivesse pensando em voz alta.
  • Nós fazemos: professor e alunos fazem juntos. Pode ser com ajuda guiada, em coro, em duplas.
  • Você faz: Os alunos tentam sozinhos, aplicando o que aprenderam.

A partir desse modelo, podemos organizar uma atividade de maneira sistemática. No entanto, a atividade precisa ser desafiadora para que a criança não apenas repita um modelo pronto.

Ensino explícito e sistemático

Na alfabetização, essa abordagem tem sido muito discutida porque as evidências científicas indicam que o ensino explícito das relações entre letras (grafemas) e sons (fonemas) é mais eficaz. Especialmente, para crianças com dificuldades.

Considero importante conhecer melhor as propostas que têm sido difundidas, pois podemos ampliar nossa visão.

A ideia central é que a criança aprenda a decodificar palavras entendendo como os sons se combinam para formar palavras escritas.

É considerado sistemático porque é ensinado de forma:

  • Explícita: o professor sabe que aprender a ler não é um processo natural e por isso, deve ensinar explicitamente.
  • Sequencial: Começa pela consciência fonológica e vai seguindo uma sequência para o desenvolvimento da consciência fonêmica.
  • Acumulativa: Cada aula constrói sobre a anterior.
  • Intencional: foca em habilidades específicas.

O ensino explícito e sistemático pode ser aplicado em outros objetos de conhecimento.

Agrupamentos ou tutoria entre pares

Os agrupamentos produtivos contribuem tanto para a gestão da sala de aula, quanto para o avanço na aprendizagem dos alunos.

Isso porque quando agrupamos alunos com níveis de aprendizagem próximos, conseguimos atender melhor às diferentes necessidades de uma turma grande.

Também é uma oportunidade rica para os alunos, pois a partir das interações podem aprender mais e melhor.

Outra estratégia relevante é a tutoria entre pares. Um aluno mais avançado ajuda o colega que está com dificuldades. Sendo que o professor orienta o tutor sobre como contribuir, quais perguntas realizar.

Recursos multissensoriais e manipulativos

O cérebro aprende melhor quando a informação é processada por diferentes canais sensoriais.

Por isso, utilizar materiais concretos, visuais, táteis e/ou auditivos ativa os múltiplos sentidos, facilitando 

  • a compreensão, 
  • a retenção, 
  • a generalização dos conceitos.

Além disso, os alunos adoram esses recursos “diferentes”, não é mesmo?

Quando os alunos estão com muita dificuldade em compreender os conceitos abstratos, substitua temporariamente por recursos multissensoriais e manipulativos.

Quando eles estiverem preparados, faça a transição do concreto para o abstrato.

Por exemplo, na alfabetização podemos utilizar:

  • Areia para escrever letras com o dedo, massinha de modelar
  • Cartões de sílabas com cores diferentes
  • Letras móveis, letras em alto relevo
  • Segmentar palavras em sílabas batendo palmas

Na matemática, alguns exemplos são:

Outra opção é montar estações de aprendizagem, promovendo rotação entre os grupos. Nessa proposta, os alunos têm a oportunidade de interagir com um mesmo objeto de conhecimento a partir de diferentes propostas.

Por exemplo, uma estação utiliza um texto, outra um vídeo, outra materiais concretos ou uma atividade prática.

Avaliação diagnóstica e formativa

Para fazer intervenções pedagógicas rápidas e direcionadas, é necessário monitorar a aprendizagem.

A avaliação diagnóstica nos ajuda a identificar as dificuldades e as lacunas no aprendizado para que possamos planejar as ações do plano de intervenção.

Já a avaliação formativa, se propõe a acompanhar o desenvolvimento dos estudantes. Assim, podemos analisar os dados e avaliar se as ações estão trazendo resultados e se alguma habilidade precisa ser reforçada.

Nesse sentido, não é só avaliar a aprendizagem, mas avaliar para a aprendizagem.

Metacognição

Ajudar os alunos com dificuldades a terem autonomia é muito importante. Para isso, as estratégias metacognitivas são fundamentais.

A metacognição é fundamental para a autorregulação da aprendizagem, possibilitando que a criança aprenda a observar o próprio processo de aprendizagem.

Além disso, ajuda a:

  • Reter melhor o que foi estudado;
  • Compreender com mais profundidade
  • Ser mais resiliente diante de erros, pois aprendem a encará-los como parte do processo.

Participação da família

O plano de intervenção também precisa contemplar ações que envolvam a família, pois o aluno precisa ser amparado, motivado e estimulado também em casa.

A Constituição Federal reforça a importância da participação ativa da família no processo educacional. Sendo assim, não é dever dos pais ou responsáveis somente matricular as crianças na escola, mas acompanhar o desenvolvimento acadêmico, incentivar os estudos e criar um ambiente favorável ao aprendizado.

Formação continuada dos professores

Sempre temos o que aprender. Ainda mais na área da educação, em que novos desafios surgem a cada dia e também novos estudos científicos que podem fundamentar a prática em sala de aula.

Só que os professores precisam ter condições e apoio para isso, o que infelizmente nem sempre acontece.

Estratégias quando há muitas defasagens

Quando a turma apresenta defasagens de muitas habilidades de anos anteriores, o desafio é maior. Algumas dicas de ações para o plano de intervenção para os anos iniciais do ensino fundamental são:

Priorização de habilidades

Seria maravilhoso se o plano de intervenção contemplasse todas as habilidades da BNCC que o aluno não teve a oportunidade de desenvolver.

Mas, na prática, não é viável. É aí que entra a priorização curricular para nos ajudar.

Embora todas as habilidades da BNCC e/ou do currículo local sejam importantes, algumas delas são indispensáveis para a continuidade dos estudos.

Diante disso, a partir da avaliação diagnóstica vamos analisar quais habilidades prioritárias foram consolidadas e quais não foram.

A partir dos resultados, o plano de intervenção irá contemplar as habilidades que não foram desenvolvidas.

Uma dica é se basear na Matriz Curricular priorizada para a recomposição das aprendizagens do MEC. Mas, alguns estados já têm a própria matriz, o que ajuda bastante.

Diferenciação pedagógica

O plano de intervenção pode atender alunos que estão em níveis de aprendizagem diferentes. Assim, a necessidade de um aluno pode ser diferente de outro e por isso, a mesma atividade pode contribuir com o avanço de alguns estudantes e não trazer bons resultados para outros.

Diante dessa realidade, as ações do plano precisam ser flexíveis. Ou seja, você vai ajustar de acordo com o que o aluno precisa desenvolver para avançar, fazendo a diferenciação pedagógica.

Muitas vezes, é preciso um pequeno ajuste como 

  • utilizar letras em caixa alta ou não, 
  • colocar o apoio de imagens ou não, 
  • diferenciar uma atividade para cada nível de escrita ou leitura
  • propor atividades que envolvam números de 2, 3 ou 4 ordens, adaptando a complexidade conforme as necessidades e o ritmo dos estudantes.

Apoio socioemocional

É perceptível uma grande mudança no comportamento dos alunos em sala de aula de alguns anos para cá.

Se os professores já enfrentavam muitos desafios, com as mudanças recentes da sociedade, a realidade ficou muito mais desafiadora.

Certamente, muitas das dificuldades de aprendizagem têm causas socioemocionais.

Além disso, quando um aluno chega ao 4º ou 5º ano com defasagem na leitura, escrita ou matemática, ele se sente envergonhado, fracassado e muitas vezes, desenvolve mecanismos de defesa como indiferença ou desinteresse.

Portanto, as competências socioemocionais também devem fazer parte do plano de intervenção.

  • Crie um ambiente onde o aluno se sinta seguro para perguntar, errar, tentar.
  • Trate os erros como parte natural do processo, não como fracassos.
  • Demonstre que você acredita no potencial de cada estudante.
  • Valorize avanços pequenos
  • Evite comparar alunos entre si. Compare cada um com ele mesmo.
  • Planeje momentos breves da aula para nomear e reconhecer emoções
  • Trabalhe com histórias ou vídeos que abordem emoções.

A saúde mental e emocional dos educadores também é parte do processo! Então, um plano de intervenção a nível da escola deve pensar em espaços de escuta, formação de competências socioemocionais e trabalho colaborativo para os profissionais também.

Conclusão

Realizar um plano de intervenção para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental não é uma tarefa fácil, mas é muito necessária. Já que é uma maneira de oportunizar a aprendizagem para todos, independentemente de suas dificuldades.

O que você considera mais desafiador no momento de planejar e implementar um plano de intervenção pedagógica? Deixe um comentário e sugestões de conteúdo.

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