A fluência matemática é tão importante quanto a fluência leitora. Confira exemplos, estratégias e sugestões para trabalhar a fluência matemática com seus alunos.
Olá! Que bom ter você aqui!
Diante das dificuldades de aprendizagem na matemática, sempre estamos buscando conhecimentos para ajudar os alunos, não é mesmo?
Então nos deparamos com um termo que há algum tempo não era muito conhecido: a fluência matemática.
Assim como ler com fluência ajuda a compreender melhor os textos, ser fluente em matemática amplia a compreensão e autonomia dos alunos.
Conhecer mais sobre esse termo amplia nosso olhar pedagógico para intervir precocemente nas dificuldades dos alunos ou intervir diante das defasagens, buscando entender a causa delas.
Acompanhe o post para saber mais e descobrir sugestões para desenvolver a fluência matemática na sala de aula.
O que é fluência matemática?
O termo “fluência matemática” tem sido utilizado para descrever a habilidade de resolver cálculos com precisão, eficiência e flexibilidade.
No texto “Fluência sem medo: pesquisas mostram as melhores formas de aprender fatos matemáticos”, Jo Boaler chama a atenção sobre as interpretações equivocadas sobre o conceito de fluência matemática que, muitas vezes, é relacionado com memorização e rapidez.
Ou seja, ser fluente em matemática não significa memorizar os cálculos e ser rápido nas respostas. Mas, sim, ter desenvolvido o senso numérico.
Aí entra outro termo que também não é tão conhecido. Afinal, o que é senso numérico?
“De um modo geral, este se refere à facilidade e à flexibilidade das crianças com números e à sua compreensão do significado dos números e ideias relacionadas a eles […] O senso numérico dá vida aos números que usamos e às relações entre eles” (Corso; Dorneles, 2010, p.299-300).
Nesse sentido, ser fluente em matemática é
- conseguir resolver uma operação utilizando diferentes caminhos,
- saber escolher a melhor estratégia para cada situação,
- ter flexibilidade para encontrar uma solução quando a memória falhar ou para aplicar o que aprendeu em um novo problema,
- aplicar o aprendizado em situações reais,
- compreender e não apenas memorizar.
Por exemplo: saber a tabuada de cor é importante para automatizar os cálculos. Mas, pense na seguinte situação: o aluno decorou a tabuada, mas em um momento de nervosismo, esqueceu quanto é 9×7.
Se ele desenvolveu a fluência matemática, pode pensar que: se 10×7 é igual a 70, então 9×7 é o mesmo que 70-7.
Outro exemplo: O aluno precisa encontrar o resultado de 49+35, mas tem muita dificuldade no reagrupamento. Ele pode arredondar o 49 para 50 e facilitar o cálculo: 50+35=85; 85-1=84
Sendo assim, saber alguns cálculos básicos de cor é importante para ter precisão, tais como somas que resultam 10 ou 100, tabuada da multiplicação, entre outros. Porém, só a precisão e rapidez não é suficiente para adquirir fluência.

Por que é importante trabalhar a fluência matemática?
A partir dos exemplos, podemos perceber o quanto a fluência matemática é útil para desenvolver a autonomia e a confiança dos alunos na resolução de problemas matemáticos.
Principalmente, para os alunos com dificuldades ou defasagens na aprendizagem. Se eles aprenderem a usar os números de forma flexível, podem superar muitas dificuldades.
Até mesmo porque geralmente, eles têm dificuldade em memorizar e compreender o funcionamento dos algoritmos convencionais.
No artigo “Senso numérico e dificuldades de aprendizagem na matemática”, Luciana V. Corso e Beatriz V. Dorneles, discutem pesquisas que mostram que uma das características que acompanha os alunos que enfrentam dificuldades na matemática, é um senso numérico pouco desenvolvido.
Considerando que o senso numérico é essencial para o desenvolvimento da fluência matemática, essa informação nos ajuda a pensar em possibilidades de intervenções, tanto para prevenir essas dificuldades, quanto para intervir quando as identificamos.

Como trabalhar a fluência matemática em sala de aula?
Jo Boaler enfatiza que as melhores maneiras de fortalecer a fluência com números, segundo pesquisas, é:
- Desenvolver o senso numérico
- Trabalhar com números de formas diferentes.
Nessa perspectiva, algumas estratégias que podemos utilizar em sala de aula são:
- Práticas diárias de cálculo mental
Por exemplo, dedicar 10 minutos no início da aula para trabalhar cálculos mentais
- Uso de jogos pedagógicos e desafios rápidos
- Pedir aos alunos que expliquem mais de uma forma de resolver o mesmo problema
- Valorizar estratégias diferentes
- Trabalhar com situações reais: troco, medidas, escalas, tempo
- Estimular estimativas antes de resolver com precisão
- Oferecer materiais manipulativos, como Material Dourado, Ábaco, Escala Cuisenaire
- Estimular a criação de problemas matemáticos pelos próprios alunos
- Incluir conversas numéricas na sala de aula
Conclusão
Entender o que é fluência matemática nos desperta para a importância de ensinar matemática de uma maneira diferente da que a maioria de nós aprendemos.
Hoje, com tantos recursos tecnológicos à disposição – calculadoras, aplicativos, inteligência artificial – é fácil realizar cálculos. A necessidade de memorizar procedimentos ou realizar contas mecanicamente perdeu parte da sua centralidade.
Diante disso, a escola tem um papel ainda mais relevante: ensinar os alunos a pensar matematicamente.
Mais que obter o resultado, é preciso compreender o significado dos números, as relações entre eles e as estratégias possíveis para resolver um problema.
Portanto, desenvolver a fluência matemática é promover o raciocínio, flexibilidade e autonomia.
O aluno que desenvolve a fluência não apenas chega à resposta correta. Mas entende o caminho percorrido e escolhe a melhor estratégia de acordo com o contexto.
Essa habilidade é que será exigida em um futuro que já começou …
Referências
BOALER, Jo; WILLIAMS, Cathy. Fluência sem medo: Pesquisas Mostram as Melhores Formas de Aprender Fatos Matemáticos. Disponível em: https://www.youcubed.org/pt-br/evidence/fluencia-sem-medo/. Acesso em 26 ago. 2025.
CORSO, Luciana Vellinho; DORNELES, Beatriz Vargas. Senso numérico e dificuldades de aprendizagem na matemática. Rev. psicopedag., São Paulo , v. 27, n. 83, p. 298-309, 2010 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862010000200015&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 25 ago. 2025.
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